Mixtape sobre

Corpo Desfeito

Criado por Antonia Chaves, Arthur Nunes, Caue Martins, Paulo Ricardo, Gustavo Rodrigues, Helena Garcia.

Capa da mixtape
Cassete
Ficha de faixas da fita
  1. 1. Lágrimas Negras (Gal Costa)
  2. 2. Bohemian Rhapsody (Queen)
  3. 3. Tempos Modernos (Lulu Santos)
  4. 4. Vive (Djavan)
  1. 1. Não Sei Dançar (Marina Lima)
  2. 2. Maria, Maria (Elis Regina)
  3. 3. O Mundo É Um Moinho (Cartola)
  4. 4. Toda Forma de Amor (Lulu Santos)

O livro "Corpo Desfeito" de Jarid Arraes é uma obra que conta a história da personagem Amanda e como não trata a violência como algo abstrato, que acontece uma vez ou outra mas como uma rotina perturbadora dentro de casa, vindo justamente de quem deveria proteger e dar acolhimento a ela a própria mãe e a avó. A forma como o livro traz a tona o trauma que ela vem carregando com ela e a crueldade fantasiada de "disciplina" ou religião traz um sentimento desconfortante ao leitor que imagina cada cena. Não é uma leitura leve, mas a forma com que a autora transforma a dor física e psicológica em literatura torna essa obra necessária.

Lado A

1. Lágrimas Negras Gal Costa

Acho que a parte:
"Belezas são coisas acesas por dentro
Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento
Lágrimas negras caem, saem, doem"

Me lembra das dores que ela passa no decorrer da história, porém sempre seguindo de cabeça erguida, tristesas de que a parte bonita da vida dela é meia que deixado de lado, nos momentos simples que ela perdeu na infância. Lagrimas que ela deixou, que nem sempre caem, mas doem por dentro.

2. Bohemian Rhapsody Queen

"Sends shivers down my spine, body's aching all the time
Goodbye, everybody, I've got to go
Gotta leave you all behind and face the truth
Mama, ooh (any way the wind blows)
I don't wanna die
I sometimes wish I'd never been born at all"

"Sends shivers down my spine, body's aching all the time" faz referencia as atituações dela apanhar muito da avó e ficar com o corpo dolorido e cheio de marcas.
"Goodbye, everybody, I've got to go, Gotta leave you all behind and face the truth" me lembra a parte final da história depois que a Amanda se vê sem a mãe, avó e avô, especialmente sem a avó, e poderia finalmente viver sua própria vida, deixando eles para tras para iniciar um novo capítulo em sua vida.
"Mama, ooh (any way the wind blows), I don't wanna die, I sometimes wish I'd never been born at all" já essa parte faz referencia ao fato de vezes a Amanda falar que nem queria ter nascido.

3. Tempos Modernos Lulu Santos

"Eu vejo a vida melhor no futuro
Eu vejo isso por cima de um muro
De hipocrisia que insiste em nos rodear"
Fala sobre como ela imaginava um futuro melhor sem as amarras e controle da avó e também sobre a hipocrisia que percebe-se quando a avó acaba replicando na própria filha e neta os abusos que ela sofria com o marido.

"Eu quero crer no amor numa boa
Que isso valha pra qualquer pessoa
Que realizar a força que tem uma paixão"
Já aqui fala sobre crer no amor e na paixão que ela sentia pela sua melhor amiga Jéssica e como gostaria de viver só com ela, sem se preocupar com o que a avó iria achar ou das consequencias que iria sofrer.

4. Vive Djavan

"Desencana, meu amor
Tudo seu é muita dor
Vive
Deixa o tempo resolver
O que tem que acontecer
Livre"

"Tanto que eu sonhei
Nos amar a pleno vapor
Tanto que eu quis
Fazê-la estrela
Da sagração de um ser feliz"

"Desinflama, meu amor
Do seu jeito é muita dor
Vive
Deixa o tempo resolver
Se tiver que acontecer
Vive"

O trecho fala com doçura ("desencana, vive, livre"), mas *Corpo desfeito* é um livro duro. Amanda, de doze anos, vive com a avó, que transforma a casa numa prisão sob o pretexto da religião. Por isso o "deixa o tempo resolver" soa irônico: no romance, o tempo sozinho não cura, e o trauma passa de geração em geração, de avó para mãe e para filha.
"Tanto que eu sonhei nos amar" lembra o amor que Amanda nunca recebeu, nem da mãe que perdeu nem da avó que devia protegê-la. "Sagração de um ser feliz" ecoa a religião que, na história, é usada para punir e não para acolher.
"Desinflama" e "muita dor" remetem ao corpo marcado, que dá nome ao livro. O "vive… livre" final aponta para o que a narrativa oferece como saída: a força de Amanda e o primeiro amor, ou seja, resistir e se afastar do que machuca.

Lado B

1. Não Sei Dançar Marina Lima

A parte:

"Às vezes eu quero chorar, mas o dia nasce e eu esqueço
Meus olhos se escondem onde explodem paixões
E tudo que eu posso te dar é solidão com vista pro mar
Ou outra coisa pra lembrar"

Esse trecho nos faz pensar sobre a quetsão da Amanda com o ato de chorar, pois em várias partes ela diz como segurava o choro, ou como só sabia chorar, ou como só chorava escondida, ou também como quando ela queria chorar, mas se segurava por ter que fazer as coisa de casa, por isso "Às vezes eu quero chorar, mas o dia nasce e eu esqueço".

Jà o trecho "Meus olhos se escondem onde explodem paixões", pode dizer sobre como ela retraia os sentimentos amorosos que ela swntia pela Jéssica para ela mesma, "escondendo" esssa paixão dela pela melhor amiga.

E por fim a parte "E tudo que eu posso te dar é solidão com vista pro mar, Ou outra coisa pra lembrar" fala sobre como a Amanda em várias partes da história diz que ela não se sentia suficiente, que era apenas uma menina complexidade vheia de traumas, não se sentindo suficiente para a Jéssica, que na visão da Amanda, era basicamente perfeita.

2. Maria, Maria Elis Regina

"Maria, Maria, é um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta"
Esse trecho diz sobre como toda mulher deve viver e amar como qualquer uma independente de qualquer coisa, sendo algo que faz referencia ao contexto da Amanda nunca ter consiguido viever sua própria vida, tendo em vista que ela sempre foi controlada e mandada pela avó, sendo somente possivel ela viver, quando a avó dela morre no final da história.


"Maria, Maria, é o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta"
Já essa parte, faz lembrar sobre esse roubo da vida própria da Amanda pela avó dela e todos os abusos que ela sofria diariamente, fazendo com que ela não viva realmente, mas somente aguenta um dia de cada vez.


"Mas é preciso ter força, é preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria, mistura a dor e a alegria"
Esse trecho nos faz lembrar da história, pois diz da força, gana e raça que são necessárias no dia a dia e são muito necessárias e presentes em toda a vida da Amanda, além de falar das marcas no corpo, que fazem sentido devido a diversas partes do livro onde há a descrição das marcas que ficavam no corpo da Amanda depois das inúmeras agressões da avó dela, Marlene.

3. O Mundo É Um Moinho Cartola

"Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar"
Essa parte fala sobre como a Amanda, mesmo sendo apenas uma criança, já possui muitos traumas e pesos na vida dela, e por isso também, em algumas partes do livro ela diz que não queeria nem ter nascido, sendo algo meio problématico - mas infelizmente compreensível - por ela ser só uma criança. Nesse sentido também vem a parte "Sem saber mesmo o rumo que irás tomar", pois em partes ela fala sobre como nem sabia o que queria fazer no futuro, devido a todo o contexto de controle da vó dela.

"Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó"
Nesse trecho a expressão "o mundo é um moinho, vai triturar teus sonhos, tão mesquinho, vai reduzir as ilusões a pó" pode nos fazer pensar como esse mundo que vai triturar os sonhos, poderia ser a própria avó dela, uma vez que sempre que a Amanda pensava e agia de uma maneira contra as regras impostas pela avó, ela acabava com as esperanças da neta, agredindo ela, trancafiando ela e impondo regras mais rígidas ainda.

4. Toda Forma de Amor Lulu Santos

"Eu não pedi pra nascer
Eu não nasci pra perder
Nem vou sobrar de vítima
Das circunstâncias
Eu tô plugado na vida
Eu tô curando a ferida
Às vezes eu me sinto
Uma mola encolhida, hey!"

"E a gente vive junto
E a gente se dá bem
Não desejamos mal
A quase ninguém
E a gente vai à luta
E conhece a dor
Consideramos justa
Toda forma de amor, hey!"

Diz muito sobre o peso que ela sente estando viva "eu nao pedi pra nascer", diz sobre a mãe da Amanda ter tido ela com somente 15 anos, desde criança Amanda sente esse peso como filha. " Nem vou sobrar de vítima" diz o fato de que a familia dela sempre sofreu com agressão e que ela é o espelho disso, que foi refletido pela sua avó.