Mixtape sobre

Corpo Desfeito

Criado por Arthur weiss, Arthur zeffa, Emanuelle Marinho, Isadora Crispim, Luana Dick, Luiza Baggio, Maria Sophia.

Capa da mixtape
Cassete
Ficha de faixas da fita
  1. 1. Family Line (Conan Gray)
  2. 2. Pedaço De Mim (Chico Buarque, Zizi Possi)
  3. 3. Vento No Litoral (Legião Urbana)
  4. 4. Flutua (Johnny Hooker, Liniker e os Caramelows)
  5. 5. O Fogo Arderá (Alexsander Lucio)
  1. 1. nada/tudo (O Terno)
  2. 2. Na hora do almoço (Belchior)
  3. 3. O Que Se Cala (Elza Soares)
  4. 4. Family Portrait (P!nk)
  5. 5. Triste, Louca ou Má (Francisco, el Hombre, Labaq, Helena Maria, Salma Jô, Renata Éssis)

Sabe aquele livro que a gente termina e precisa dar um tempo pra respirar? Corpo Desfeito é bem isso.
O que mais corta o coração é ver como o sofrimento da Amanda vem de quem devia proteger. As surras covardes da Fátima, uma mãe totalmente quebrada que descarrega a própria raiva na filha, somadas à perversidade da Dona Liduina, tornam a casa um inferno. A avó é a figura mais cruel: usa as orações e a religiosidade lá do Cariri pra julgar a Amanda, tratando o corpo da neta como algo sujo, enquanto o pai só se cala e finge que não vê.
A Jarid Arraes não poupa o leitor ao mostrar o trauma virando cicatriz e como a crueldade passa de mãe pra filha. Dá um nó na garganta ver aquela menina abandonada num ambiente tão sufocante. É uma leitura visceral, que te pega direto pelo estômago

Lado A

1. Family Line Conan Gray

Family Line se conecta com Corpo Desfeito porque as duas obras mostram a dor de crescer em um lar violento. A música fala sobre como o abuso vem de quem deveria proteger, exatamente como acontece com Amanda, que sofre agressões da própria mãe e da avó dentro de casa. Além disso, a letra aborda o trauma que passa de geração em geração e as cicatrizes que ficam para sempre, o que resume a história do livro.

2. Pedaço De Mim Chico Buarque, Zizi Possi

Pedaço de Mim, de Chico Buarque, se conecta com Corpo Desfeito porque retrata a dor da perda, da ausência e de uma saudade que machuca fisicamente. Na música, a saudade é mostrada como um tormento que esvazia a pessoa por dentro. No livro, isso se reflete na relação de Amanda com a falta de afeto e de proteção materna, além do sentimento de ter uma parte da sua própria vida e infância arrancadas pela violência. A canção traduz perfeitamente a sensação de carregar um vazio doloroso e a luta para continuar vivendo.

3. Vento No Litoral Legião Urbana

Vento no Litoral, da Legião Urbana, se conecta com Corpo Desfeito pelo tom profundo de solidão e o peso de um passado que não tem como apagar. A música traz uma sensação de vazio e de paralisação diante da dor, refletindo o isolamento psicológico em que Amanda se encontra no livro. A perda da inocência e a dificuldade de enxergar um futuro longe das cicatrizes familiares encontram eco na melancolia da canção, que retrata a luta dolorosa para juntar os pedaços e seguir em frente mesmo quando tudo ao redor parece destruído.

4. Flutua Johnny Hooker, Liniker e os Caramelows

Flutua, de Johnny Hooker, tem relação com Corpo Desfeito por causa do contraste entre a violência sofrida pelo corpo e a resistência pela sobrevivência. A música fala sobre corpos que sofrem tentativas de apagamento, preconceito e agressão, mas que insistem em se manter de pé, amar e existir. No livro, o corpo de Amanda é o lugar da dor e do trauma imposto pela família. A canção traduz a dor do preconceito e da opressão familiar, ao mesmo tempo em que grita sobre a força necessária para não deixar que a violência destrua quem você é.

5. O Fogo Arderá Alexsander Lucio

O Fogo Arderá, de Alexsander Lúcio, se conecta com Corpo Desfeito ao escancarar a hipocrisia de uma religiosidade de fachada. Na música, o trecho "pois de que vale ter as poesias mais lindas, as harmonias mais brilhantes se não há verdade em nós" reflete exatamente a postura de Liduina, a avó de Amanda. Ela mantém um discurso e uma postura devota e religiosa para a sociedade, mas em casa pratica e valida a violência contra a própria neta. A canção fala como a fé perde todo o sentido quando é usada como máscara para esconder a falta de amor, a falsidade e a crueldade dentro de casa.

Lado B

1. nada/tudo O Terno

Nada ou Tudo, da banda O Terno, se conecta com Corpo Desfeito ao mostrar a sensação de estar paralisado e perdido no meio de um conflito enorme. A música fala sobre a dúvida, o peso das escolhas e aquela sensação de que qualquer caminho pode levar ao extremo — ao tudo ou ao nada. No livro, Amanda e os membros da sua família vivem nessa mesma corda bamba emocional, divididos entre a vontade de romper com o ciclo de violência e o medo paralisação que o trauma causa. A canção fala sobre o sentimento de impotência e o esgotamento mental de quem tenta achar um sentido ou uma saída quando o ambiente ao redor parece desmoronar.

2. Na hora do almoço Belchior

Na Hora do Almoço, de Belchior, se conecta diretamente com Corpo Desfeito ao retratar a falsa sensação de união e a tensão sufocante que existe no ambiente familiar.
A música descreve o momento de uma refeição em família onde todos estão reunidos, mas divididos pelo silêncio, pelas aparências e pela dor reprimida de cada um. No livro, a mesa da família de Amanda é um dos maiores cenários dessa hipocrisia: um espaço onde o convívio forçado esconde a violência cotidiana, os não ditos e a opressão exercida pela mãe e pela avó. A canção traduz com perfeição aquele sentimento de estar preso a um lar onde o amor deu lugar ao medo e ao distanciamento entre pais e filhos

3. O Que Se Cala Elza Soares

Essa música da Elza Soares tem a ver com a própria estrutura da violência doméstica no livro. A casa da Amanda funciona como um pacto de segredo, a agressão física da mãe e o controle religioso da avó só duram porque ninguém do lado de fora pode saber.
A música não é sobre "sofrer calada", é sobre o custo de manter o segredo e o pipocar da raiva represada. Elza canta o momento em que o trauma deixa de ser uma ferida passiva e vira uma recusa absoluta de continuar servindo de saco de pancadas. Em Corpo Desfeito, quando a verdade sobre os abusos vem à tona ou quando os limites do corpo chegam ao extremo, o silêncio da casa racha. A música é o som dessa rachadura.

4. Family Portrait P!nk

No livro, o foco quase sempre fica na raiva da mãe ou no fanatismo da avó, mas essa música muda para a Amanda. A letra traz aquele desespero infantil de tentar fingir que tá tudo bem pra foto da família, aquela fachada que a avó adora manter, enquanto por dentro a casa tá caindo aos pedaços.
P!nk canta sobre a ilusão de achar que a culpa das brigas e da violência é da criança, e a tentativa inútil de ser "uma boa menina" pra ver se o ambiente em casa acalma. É a trilha perfeita pras cenas em que a Amanda fica acuada no quarto, ouvindo os gritos do outro lado da porta, sem ter pra onde fugir.

5. Triste, Louca ou Má Francisco, el Hombre, Labaq, Helena Maria, Salma Jô, Renata Éssis

"Triste, Louca ou Má", da Francisco, el Hombre, conecta direto com o ciclo que move a opressão feminina em Corpo Desfeito.
A música não é sobre a vítima passiva, mas sobre os rótulos que o patriarcado e a família jogam sobre a mulher que não se encaixa. No livro, tanto a mãe quanto a avó reproduzem a ideia de que a mulher precisa sofrer, aguentar calada e servir a um papel místico e castrador. Quando uma mulher tenta sair dessa caixa ou demonstra qualquer desvio, ela é imediatamente carimbada como "doida", "ruim" ou "amaldiçoada".
Em Corpo Desfeito, essa música encaixa perfeitamente na quebra desse ciclo: é a revolta contra a sentença de que o destino do corpo feminino é o sofrimento. Canta a recusa de aceitar que o papel da mulher seja apenas sangrar e aguentar o tranco pra manter a ordem da casa