A música de Chico Buarque e Milton Nascimento, no contexto da obra, faz referência ao trabalho árduo no campo pela família protagonista da história. "Debulhar o trigo" e "Decepar a cana" são trechos que nos fizeram escolher essa música para a mixtape. A música traz um segundo sentido, uma ideia de "sensualidade", mas são as palavras no sentido denotativo sobre o trabalho rural que nos fizeram remetê-la ao livro.
Mixtape sobre
Torto Arado
Criado por Alexandra Ilibio, Eduardo Ariel, Gabriel Leite, Rafaela Faccin, Sarah Krauss, Sophia Schmidt.
- 1. O Cio Da Terra (Chico Buarque, Milton Nascimento)
- 2. Meu Lugar (Arlindo Cruz)
- 3. Ogum (Zeca Pagodinho, Jorge Ben Jor)
- 4. Ela Não Vai Mais Voltar (Tim Bernardes)
- 5. Como Nossos Pais (Elis Regina)
- 1. O Mundo É Um Moinho (Cartola)
- 2. Banho de Folhas (Luedji Luna)
- 3. Torto Arado (Rubel, Liniker, Luedji Luna)
- 4. Admirável Gado Novo (Zé Ramalho)
- 5. Sinais de fogo (Preta Gil)
Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, é uma obra que retrata a vida de trabalhadores rurais e aborda temas como desigualdade social, racismo, pobreza e luta por direitos. A história mostra, por meio das irmãs Bibiana e Belonísia, as dificuldades enfrentadas por pessoas que vivem em condições de exploração e têm sua liberdade e seus direitos limitados. Um exemplo disso é a situação dos trabalhadores da fazenda, que trabalham na terra, mas não possuem o direito de serem donos dela e precisam enfrentar condições difíceis para sobreviver. A obra também valoriza a cultura, a ancestralidade e a resistência das comunidades rurais. O livro é importante porque mostra uma realidade muitas vezes esquecida e faz o leitor refletir sobre as desigualdades que ainda existem na sociedade.
Lado A
O trecho de “Meu Lugar, de Arlindo Cruz, se relaciona com o livro Torto Arado pela ideia de pertencimento ao lugar. Ambos mostram o território como espaço de luta, trabalho, cultura, espiritualidade e esperança. Em Torto Arado, a terra também representa ancestralidade, memória e resistência. Assim, nos dois, o lugar é essencial para a identidade e a história da comunidade.
Ogum mistura figuras religiosas na sua letra e acaba abordando o sincretismo religioso existente no Brasil. Essa música trata sobre as religiões de matriz africana, que apresentam grande participação na obra em toda sua narrativa e moldam grandemente a narração. Além disso, São Jorge, citado diversas vezes na letra, tem uma planta que leva seu nome (espada-de-são-jorge) na capa do livro
Se comunica com o momento em que Bibiana perde o marido e percebe que agora quem teria que tomar alguma atitude sobre o futuro da fazendo teria que ser ela.
"Por isso, cuidado, meu bem / Há perigo na esquina / Eles venceram e o sinal está fechado pra nós / Que somos jovens / Para abraçar seu irmão /
E beijar sua menina na rua / É que se fez o seu braço / O seu lábio e a sua voz”
A música “Como Nossos Pais” de Elis Regina, aborda constantemente uma repressão causada por violência, podendo ser relacionado à obra, que trata de diversos tipos de opressão (físicas e psicológicas). Nesse trecho em específico, podemos usar a frase “seu lábio e a sua voz” em paralelo às duas irmãs, que acabaram machucando tanto o lábio como a “voz” (porque Belonisia perdeu a capacidade de fala quando perdeu a língua).
Outro trecho que pode ser relacionado é o: “Minha dor é perceber / Que apesar de termos / Feito tudo o que fizemos / Ainda somos os mesmos / E vivemos / Como os nossos pais” que reflete na permanência da rotina de trabalho árduo e de como a população ainda sofre com a escravidão, da mesma forma que seus antepassados.
Lado B
O trecho da música O Mundo é um Moinho, de Cartola, se relaciona com Torto Arado na história de Belonísia e Tobias. Belonísia sai de casa acreditando que terá uma vida feliz ao lado do marido, mas encontra uma realidade completamente diferente: Tobias bebe, briga com ela e a trata como empregada. Assim como na música, seus sonhos e ilusões são destruídos pela realidade, fazendo com que ela fique triste e sinta saudade de sua antiga vida e de sua família.
“Banho de folhas” de Luedji Luna referência a saída de Bibiana da fazenda de Água Negra nos trechos “saí para te procurar” “andei a cidade inteira” “mas cadê você, cadê você”, mostrando a preocupação da Belonísia sobre a fuga de Bibiana e Severo. Além de mostrar parte da cultura presente no livro, com o “punhado de folhas para me curar” , cultura essa muito explorada principalmente com Zeca Chapéu Grande.
A música Torto Arado faz referência ao livro tanto no título quanto ao decorrer de toda a sua letra, durante a letra diversos acontecimentos do livro são descritos, por exemplo o momento do encontro da mala, a perda da língua de Belonísia, a cumplicidade de Bibiana com Belonísia, a revolta de Severo sobre a realidade das fazendas, a restrição sobre as construções da casa, além de muitos outros aspectos da obra de Itamar Vieira Junior.
O trecho "O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam essa vida numa cela
Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo se acabar" da música Admirável Gado Novo, de Zé Ramalho, expressa a resistência de quem vive privado de direitos, relacionando diretamente a condição dos trabalhadores da fazenda. Os personagens vivenciam no trabalho a escravidão e o analfabetismo funcional imposto pelos patrões para manter eles na ignorância, ainda assim, se sustentam na esperança de "verem esse mundo se acabar" para dar lugar a libertação e a posse de suas terras
“Quando eu te vi, que te conheci / Não quis acreditar na solidão / E nem demais em nós dois / Pra não encanar / Eu me arrumo, eu me enfeito, eu me ajeito / Eu interrogo meu espelho / Espelho que eu me olho / Pra você me ver”
Esse trecho da música “Sinais de Fogo”, de Preta Gil, pode ser associado à chegada de Severo, primo de Bibiana e Belonisia em Água Negra, onde é relatado que as irmãs sentem uma afeição pelo menino, por ser o único da idade delas pela fazenda e por estarem começando os sintomas da puberdade. Por esse motivo, as meninas se tornam mais vaidosas, passam a cuidar mais das vestimentas e dos penteados, como no trecho do livro: "[...] enquanto nós, quase adolescentes, descobríamos aos poucos o interesse que um menino poderia despertar em duas moças com seios despontando nos vestidos, ancas se firmando e o perfume do corpo abundando como nunca. Duas moças que se descobriam vaidosas, que reclamavam por um espelho em casa, que ocupavam o tempo vago com penteados e combinações de vestimentas diferentes com as poucas peças de roupa que tinham."